Os católicos são idólatras? eles adoram imagens?

 Este artigo, assim como todo o blog que será desenvolvido, se destina a responder, na medida do possível, as dúvidas e conceitos pré-estabelecidos que nossos irmãos evangélicos tem a respeito para com a Igreja Católica.

Não é nosso intento atacar nenhum deles, mas apenas esclarecê-los de suas legítimas dúvidas e mostrá-los o que a fé da Igreja propõe a cada fiel católico. Comecemos pela pergunta: os católicos são idólatras?
Resposta: Não, e nem poderiam ser!

A Igreja condena e sempre condenou, incessantemente, o ato de idolatria - contido no 1º mandamento da lei divina como um pecado grave contra Deus - e, toda vez que alguém o comete, volta suas costas para o único Deus e Senhor verdadeiro.
Com efeito, somente a Deus devemos adorar, isto é: reconhecer que ele é o Sumo Bem, que ele é o Criador de todas as coisas, que todas as coisas foram feitas por ele e para ele, e que nele tudo subsiste e que sem ele nada foi feito. Deus é a Vida e fonte de vida.
Etimologicamente, idolatria vem do latim, sendo uma palavra composta por ídolo + latria: Latria significa o culto de adoração devido a Deus;
Ídolo consiste em tudo aquilo que a pessoa, na sua cabeça, tem por deus. Por exemplo: dinheiro, sexo, comida, time de futebol, namorada (o) etc.

Note-se que dinheiro, sexo e comida não são coisas ruins em si mesmas, muito pelo contrário! são coisas criadas por Deus e que ele nos proporcionou para nossa subsistência financeira, procriativa e física, respectivamente.
A idolatria consiste em pegar alguma dessas coisas, como o que foi dito acima, e colocar como fim último de sua vida, no lugar de Deus. Você certamente encontrará um idólatra quando notar numa pessoa seu semblante de alguém que "só vive pelo dinheiro", "só vive para ter prazeres"... Essa atitude é uma afeição desordenada, dando às criaturas justamente maior reconhecimento do que ao Criador delas! aí se encontra a idolatria, porque tal indivíduo não ama a Deus acima de todas as coisas, mas ama todas as coisas acima de Deus.

Tendo já delineado o conceito de idolatria e alguns exemplos, vamos ao caso dos católicos:
Você já deve ter visto alguém rezando diante de uma imagem de santo, ajoelhando-se perante ela, encostando na imagem e depois fazendo o sinal da cruz... enfim... há muitas ações que podem causar dúvida na consciência dos nossos queridos irmãos evangélicos, pois instantaneamente lhes vêm à mente:
"Não terás outros deuses diante de minha face. Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto. Eu sou o Senhor, teu Deus, um Deus zeloso que vingo a iniquidade dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos daqueles que me odeiam" (Êxodo 20, 3-5)

Aqui precisamos ter cuidado ao interpretar as palavras divinas, porque antes mesmo da acusação de idolatria, dizem primeiramente que Deus proíbe a criação de imagens, porque está escrito: "não farás escultura".

Mas Deus proíbe a fabricação de imagens de modo absoluto? Não! vemos, com efeito, três exemplos bíblicos em que Deus ordena que se façam imagens, incluindo um que é cinco capítulos depois do da condenação:

1) Êxodo 25, 16-22

“Porás na arca o testemunho que eu te der. Farás também uma tampa de ouro puro, cujo comprimento será de dois côvados e meio, e a largura de um côvado e meio. Farás dois querubins de ouro; e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado e outro de outro, fixando-os de modo a formar uma só peça com as extremidades da tampa. Terão esses querubins suas asas estendidas para o alto, e protegerão com elas a tampa, sobre a qual terão a face inclinada. Colocarás a tampa sobre a arca e porás dentro da arca o testemunho que eu te der. Ali virei ter contigo, e é de cima da tampa, do meio dos querubins que estão sobre a arca da aliança, que te darei todas as minhas ordens para os israelitas.”

2) Números 21, 8-9

“E o Senhor disse a Moisés: ‘Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.” Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida.

3) I Reis 6, 23-27

“Fez no santuário dois querubins de pau de oliveira, que tinham dez côvados de altura. Cada uma das asas dos querubins tinha cinco côvados, o que fazia dez côvados da extremidade de uma asa à extremidade da outra. O segundo querubim tinha também dez côvados; os dois tinham a mesma forma e as mesmas dimensões. Um e outro tinham dez côvados de altura. Salomão pô-los no fundo do templo, no santuário. Tinham as asas estendidas, de sorte que uma asa do primeiro tocava uma das paredes e uma asa do segundo tocava a outra parede, enquanto as outras duas asas se encontravam no meio do santuário.”

Vimos, portanto, que Deus não só não proíbe a criação de imagens, mas até mesmo ordena e incentiva. Se é assim, por que Nosso Senhor fez tão dura condenação em Êx 20? A resposta é simples: o mesmo Deus que proibiu a criação de imagens do que havia em cima do céu e logo depois ordena a fabricação de imagens de anjos (criaturas que estão no céu) conhecia muito bem o povo da Antiga Aliança. Os judeus eram propensos à idolatria, e por isso Deus os advertiu. E o fim não podia ser diferente: em Êxodo 32, o povo israelita construiu um bezerro de ouro e simplesmente adoraram a coisa como se fosse ela o Deus único: "Eis, ó Israel, o teu Deus que te tirou do Egito" (Êx 32,4)

Lembremos que Deus disse: "não terás outros deuses diante de mim". Por essa razão Deus proibiu a fabricação de imagens em certos contextos, pois o povo da época, que por ter advindo de uma cultura pagã (egípcia) e embora fosse o povo eleito, estava com a mentalidade confusa e acabava adorando esculturas, estátuas, objetos etc como se fossem o próprio Deus, daí a necessidade de adverti-los.

Muito bem. Vimos o significado de idolatria etimologicamente e com exemplos e também vimos que Deus não só não proíbe a fabricação de imagens, senão que ele mesmo, que é a Verdade, ordenou várias vezes que se fizessem imagens. E quanto aos católicos? eles idolatram as imagens, os santos, Maria? Não! não é porque temos imagens em nossas igrejas que as adoramos. Em 2 mil anos de Igreja nunca houve e nem haverá um Papa, bispo ou padre que incentive a adoração às imagens. Aos anjos e santos não adoramos, mas veneramos, e aqui está a diferença crucial.
A veneração é um culto essencialmente distinto da adoração. Venerar significa honrar, respeitar, ter em alta estima, mas jamais e em hipótese alguma significa adorar!
Se você já viu alguém fazendo isso numa igreja, saiba que ela não é católica. Alguém que dissesse: "Paulo, meu Senhor e meu Deus!" estaria não só pecando por idolatria mas também seria totalmente maluca! O que vemos, de fato, são pessoas dizendo: "São Paulo, rogai por nós!".

A Igreja Católica, no ano 787, na sua forma mais solene de ensino, que é por Concílio, disse: "a veneração prestada a uma imagem é direcionada ao seu protótipo que está no céu".
Daí concluímos que quando um católico faz suas orações diante da imagem de Jesus, de Maria, de José, dos anjos e dos santos, ele não está direcionando suas preces à imagem em si, mas à pessoa representada na imagem. Quem nunca olhou pra foto de um parente querido e disse: Meu vovô, que saudade eu tenho de ti! o mesmo se aplica aos católicos! É óbvio que as imagens não têm vida, não falam e não ouvem, mas as pessoas nelas representadas nos ouvem no Céu e não cessam de interceder por nós.

Talvez ainda haja a dúvida: as imagens de Jesus eu até aceito, mas por que as de Maria, de José, dos anjos e santos? A resposta também é simples: somos seres humanos compostos de corpo e alma, e para chegarmos às coisas invisíveis que dizem respeito à nossa alma (o Paraíso, a graça de Deus etc) precisamos das coisas visíveis, que chegam ao nosso conhecimento através dos sentidos. É uma necessidade da natureza humana. Para deixar mais claro: Para você conhecer a Deus, precisa pelo menos ter ouvido falar dele, certo? porque a fé vem pelo ouvir (Rm 10,17).
Logo, a audição é um dos sentidos que Deus nos deu para que, principalmente, ouvíssemos as coisas divinas, a palavra de Deus! Não seria diferente, por exemplo, com a visão: nossos olhos precisam ver aquilo que é sagrado para um dia chegarmos às coisas que por enquanto não vemos. Não disse Simeão a Deus Pai sobre o Menino Jesus isto? "Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Porque os meus olhos viram a vossa salvação que preparastes diante de todos os povos, como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel” (Lc 2, 29-32)

Necessitamos tanto de ver as coisas divinas nesta vida para as alcançarmos na outra que o próprio Deus se fez homem, tornando-se, assim, a "Imagem do Deus invisível" (Colossences 1,15) Nas nossas igrejas temos imagens do Sagrado Coração de Jesus, de Jesus Crucificado, de Jesus Menino... enfim, temos várias representações do Senhor. Também temos imagens de São Miguel Arcanjo e de outros anjos (lembremos que Deus ordenou a fabricação de imagens de anjos no Antigo Testamento), então é justíssimo fazer imagens dos anjos. E quanto à Virgem Maria e os outros santos? qual a explicação?
Eu te digo: os santos merecem ser honrados!
Não sou eu quem digo, é o próprio Deus: "se alguém me servir, será honrado por meu Pai!" (Jo 12, 26)

Ora, ninguém mais que os santos serviu a Jesus e trabalhou pela difusão de seu Reino. Portanto são honrados pelo Pai Celestial. E se Deus honra os santos, podemos e devemos honrá-los.

Para concluir, dentre os santos, qual mais serviu Jesus? Sem dúvida foi sua Mãe Santíssima. Na corte de um Rei é mais honrado a mãe do que os servos, e no Céu Maria é a mãe de Deus, portanto ela merece uma honra maior do que a de todos os santos.

É, por consequência, mais do que justo ter imagens de Maria e honrar a "mãe de meu Senhor" (Lc 1,43), porque se é permitido haver imagens de anjos, sem dúvida deve haver imagens daquela que conteve em seu seio Aquele que "os céus não podiam conter" (II Crônicas 6,18)

Mas pode haver uma resistência e ainda indagar: mas será que não há, entre os católicos, muitos que adoram Maria?

Não, não pode haver este erro na fé. Quando isso aconteceu e a Igreja ficou sabendo, não tardou em condenar e denunciar a todos os fiéis tal erro. No séc. IV apareceu um grupo de autodenominados “cristãos”, conhecidos como Coliridianos, os quais se reuniam num culto de adoração à Virgem Maria. Este estranho culto consistia em oferecer bolos e pastéis à Virgem, como sinal de adoração. Na realidade, eles não eram cristãos, eram uma seita gnóstica integrada majoritariamente por mulheres que tomaram a figura de Maria, mesclando-a com deuses pagãos para confundir os verdadeiros cristãos.
Santo Epifânio, bispo na época, condenou tal atitude em nome de toda a Igreja dizendo: “Seja Maria honrada. Sejam Pai, Filho e Espírito Santo adorados, mas ninguém adore à Maria”.

Concluo este artigo citando o ensinamento oficial da Igreja através do seu Catecismo:

“Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48): “A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseco ao culto cristão” (MC 56) A Santíssima Virgem “é honrada com razão pela Igreja com um culto especial. E, em afeto, desde os tempos mais antigos, se venera a Virgem Maria com o título de Mãe de Deus”, sob cuja proteção, se achegam os fiéis suplicantes em todos os seus pedidos e necessidades… Este culto (…) também é todo singular, é essencialmente diferente do culto de adoração a Deus, ao Verbo Encarnado, ao Pai e ao Espírito santo, mas o favorece poderosamente”. (LG); encontra sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus (cf. SC 103) e na oração mariana, como o Santo Rosário, “síntese de todo evangelho” (Catecismo da Igreja Católica 971).
Portanto, nós católicos não adoramos imagens e nada que não seja Deus: Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

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